domingo, 23 de novembro de 2014

Flávio Dino em entrevista ao Imparcial como será sua gestão



Governador eleito fala de seus 4 anos de governo que inicia-se em Janeiro 2015



 
Em entrevista exclusiva para o jornal O Imparcial, Flávio Dino, governador eleito do Maranhão deu a entender como será a sua gestão nos próximos quatro anos. Com mais de 60% dos votos, o candidato do PCdoB derrotou já no primeiro turno o senador Lobão Filho (PMDB), escolhido pelo grupo Sarney (com o apoio do PT) para tentar prolongar a hegemonia do clã que domina o estado desde 1965. O governador falou de tudo um pouco. Criticou o atual governo, que, segundo ele, não colabora com a equipe de transição, elogiou os secretários que escolheu, além da importância da transparência que será uma das bandeiras do seu governo.

 Flávio Dino ainda não tomou posse, mas já iniciou uma frenética rotina de trabalho. Planeja o próximo governo orientando e escolhendo bem seus secretários, estudando informações repassadas pelo atual governo e tomando decisões importantes para o futuro do estado. Confira abaixo algumas frases importantes ditas pelo novo governador do Maranhão durante a entrevista.

“Nós já preenchemos 90% dos cargos de primeiro escalão e a presidência dos órgãos. Faltam duas ou três secretarias apenas. Todos já estão trabalhando e eu tenho feito uma sequência de reuniões individualizadas, ouvindo as primeiras impressões deles sobre as secretarias e já modulando um pouco as prioridades.”

“Acho uma grande colaboração que o grupo Sarney presta ao Maranhão é fazer a oposição. Eles ficarão na oposição, acho que isso é bom pra eles e é bom para o estado, pois queremos ter uma oposição que nos cobre, fiscalize, isso eleva a cultura democrática do Maranhão.”

“A legitimação não pode emergir apenas das urnas, tem que ser algo que se renova cotidianamente pelo exercício democrático do poder. Agora, nós temos a governabilidade institucional, no âmbito parlamentar. Não apenas no âmbito parlamentar, mas, sobretudo nele. Nós temos uma ótima bancada na Assembléia que já demonstrou as suas virtudes, inclusive na oposição, porque é, de grande medida,”

“Nós temos muitos problemas crônicos, que vêm se acumulando por anos, décadas, e que compõem um conjunto no cenário de muitas dificuldades. Autenticamente nós teremos uma herança maldita, representada por contratos inexplicáveis, aluguéis sem sentido, contratos superfaturados, obras abandonadas, obras mal planejadas, dívidas com precatórios.”

“A transparência funda uma nova cultura política. É o que garante que esse ciclo político coronelista no Maranhão ficou para trás. O nosso estado praticamente, desde sempre, apenas trocou de coronel, trocou de oligarquia, trocou o personagem que ainda hegemoniza a cena política, mas não mudou os métodos.”

Natureza viva nas comunidades de Tutóia



Belezas naturais na rapidinha da semana foram marcadas por várias imagens


Povoado Ananás/tudo que se planta dar


                                                                 Ananás Tutóia-Ma
                                                  Povoado Ananás Tutóia-Ma 
                                                                     
                                        Em uma das roças do lavrador 

                                                  Lavrador na colheita povoado Ananás

                                 Colheita da manga, caju, melancia, quiabo, castanha

Aírton Paulo(Advogado) publica na página em seu facebook o que é a ditadura



Como surge uma ditadura?




Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência?


                       Advogado Aírton Paulo

Sempre que uma ditadura cai, a comoção causada invariavelmente leva à certeza de que outra ditadura jamais será permitida, jamais acontecerá. Infelizmente a história nos mostra que poucas vezes as experiências trazidas pelo passado conseguem se traduzir em lições para o presente e o futuro. Ser contrário a ditaduras é um primeiro passo. Mas é insuficiente. Afinal, boas intenções somente não produzem resultados. É preciso conhecer, objetivamente, o que caracteriza um regime ditatorial, tirânico. Ditaduras são o que são por apresentarem características objetivas, claras, definidas, independentemente de opiniões ou juízo de valores.

Houve um tempo em que as ditaduras caminhavam à luz do dia, não tinham a mínima preocupação em se esconder. Algumas décadas e milhões de cadáveres depois, as ditaduras passaram a se apresentar com fantasias, de modo a enganar as pessoas e evitar o surgimento de qualquer resistência.

Para se compreender como surge uma ditadura é necessário, antes de mais nada, entender o que é uma ditadura, um tirania. Ditadura é um regime político em que o poder do Estado é (ou tende a ser) absoluto, ilimitado. É um regime no qual prevalece a arbitrariedade, definida pelo ditador e seu grupo de sustentação. É um regime no qual o tirano pode fazer o que bem entender e não deve satisfação a ninguém. Assim, todos os passos de implantação de uma tirania se balizam, principalmente, pela concentração de poder.

O primeiro passo para o surgimento de uma ditadura é a tomada de poder. Como exposto acima, atualmente as ditaduras não podem mais se revelar à luz do dia. Assim sendo, tomar o poder pela força das armas seria uma estratégia arriscada, e faria surgir imediatamente uma resistência, especialmente num mundo globalizado, em que a informação chega simultaneamente a todos os cantos do planeta. A alternativa viável atualmente é tomar o poder por meio de eleições. Sim, eleições! É claro que nem todos que chegam ao poder através de eleições querem implantar uma ditadura, mas como um golpe armado é inconveniente, a única maneira restante para se chegar ao poder e implantar uma ditadura, é por meio de eleições.

Não foram poucos os ditadores que chegaram ao poder por meio de eleições. O exemplo mais famoso é Adolf Hitler. Mas vários outros estão na lista, como Hugo Chávez, Evo Morales, Saddam Hussein, Hosni Mubarak, etc. E além de levar os tiranos ao poder, as eleições ainda cumprem outro papel: legitimar os ditadores eleitos. Hugo Chávez se valeu muito desse expediente. Apesar de perseguir opositores, aparelhar órgãos de Estado, ampliar os próprios poderes, criar milícias paramilitares, censurar a imprensa, seu governo era legitimado pelo fato de ter sido eleito.

O segundo passo para a implementação de uma ditadura é a manutenção do poder. Ou seja, uma vez conquistado o poder, o tirano precisa tomar medidas para assegurar que o poder nunca mais saia de suas mãos, ou das mãos de seu grupo ou partido. Assim sendo, mesmo que a eleição que o levou ao poder pela primeira vez tenha sido justa, é necessário que as subsequentes sejam devidamente controladas de forma a impedir o sucesso de qualquer eventual oponente. Esse objetivo pode ser alcançado de várias maneiras. A mais simples é fraudando as eleições. Mas também é a mais perigosa, já que se a fraude for descoberta, o tirano pode cair.

Mas também existem maneiras de controlar o resultado das urnas sem fraudar as eleições. Basta definir regras que beneficiem o governo em detrimento de qualquer eventual oposição. Isso foi feito no Brasil, durante o regime militar. Na época, os grupos que apoiavam o regime tinham mais força longe dos grandes centros urbanos. Assim, estabeleceu-se que o mínimo de deputados que cada Estado teria seria 8. Ou seja, nos Estados em que o apoio aos militares era maior, também era proporcionalmente maior o número de cadeiras disputadas. Esse expediente garantiria que, mesmo que não houvesse fraude nas eleições, os apoiadores do governo conseguiriam maioria, tanto no parlamento quanto no colégio eleitoral (na época o voto para presidente era indireto). Essa estratégia é a mesma usada pelos chavistas na Venezuela hoje. Os estados em que os socialistas têm mais influência elegem mais deputados, e isso garante uma permanente maioria à ditadura.

Outra maneira de se perpetuar no poder é ampliando os mandatos dos ditadores. Na maioria dos países existem limites para número de vezes que qualquer governante pode disputar eleições, ou ser reeleito. Acabar com esse limite, permitindo reeleições sucessivas, é outro passo fundamental para a manutenção de poder. Foi assim que Hosni Mubarak e Saddam Hussein conseguiram ficar no poder durante décadas, mas sendo periodicamente reeleitos no Egito e no Iraque respectivamente. Na Venezuela aconteceu a mesma coisa. Chávez legalizou a reeleição ilimitada, e só não se perpetuou no poder indefinidamente porque a natureza tinha outros planos para ele.

Uma vez tendo conquistado o poder e garantido sua manutenção por um longo tempo, é preciso então iniciar uma reforma do Estado de forma a atingir, idealmente (para uma ditadura) a concentração total do poder. Como visto no início, uma ditadura é um regime em que o poder do governante é ilimitado, absoluto, e para tanto, o poder precisa estar todo concentrado nas mãos do ditador. A concentração de poder exige uma série de medidas, mas algumas das mais importantes são as seguintes:
1) Aparelhamento dos órgãos do estado, em especial das forças de segurança. Ao colocar nos cargos chave do Estado funcionários leais à tirania, o ditador passa a ter os meios de usar o aparelho estatal, em especial as polícias, para perseguir adversários. Ele poderá inclusive usar o Estado para criar dossiês falsos para incriminar opositores, e travestir a perseguição política de combate à corrupção. Se bem sucedida essa estratégia traz simultaneamente duas vitórias: a eliminação da oposição, e o ganho de popularidade junto à opinião pública, que tenderá a crer que se trata de uma ação saneadora da política.

2) Controlar a imprensa. Para poder implementar sua agenda sem criar resistências é imprescindível ao tirano controlar as informações (e opiniões) às quais as pessoas podem ter acesso. Por isso o controle da imprensa é fundamental. Afinal uma resistência só poderia surgir no momento em que as pessoas souberem (ou seja, no momento em que as pessoas tiverem acesso às informações sobre) o que está acontecendo.

3) Controle da economia. Numa economia de mercado, os recursos são alocados de acordo com regras de mercado. Entretanto, uma tirania, para se manter, precisa também de meios materiais. Por isso deve controlar a economia , para garantir esses meios. Além disso, o controle direto de empresas e propriedades rurais ajuda a minar o poder de seus donos, que naturalmente se oporiam a qualquer desapropriação. Nesse caso, como no caso da imprensa, vale ressaltar que não é necessário que o Estado seja formalmente o dono de nenhuma empresa ou fazenda. Basta que ele disponha de dispositivos legais para controlar as empresas e fazendas. Assim foi feito, por exemplo, na Alemanha nacional-socialista.

 O Estado não era o dono, no papel, das empresas (que continuavam com seus donos originais), mas era quem de fato tomava as decisões dessas empresas, sempre de acordo com os planos do governo (nos países socialistas a economia é planificada). A estratégia nazista foi muito bem sucedida, enquanto durou, porque além de dar ao Estado o controle dos meios materiais, como não realizou nenhuma desapropriação, acabou por não gerar resistência por parte dos empresários.

4) Controlar o judiciário. Indicar pessoas de confiança, leais ao regime ditatorial, para cargos no judiciário, é fundamental para manter o controle do Estado. Como uma ditadura se define pela concentração de poderes, a divisão de poderes não pode existir. Assim, controlar o judiciário é uma medida que ajuda a anular essa divisão de poderes, que passa a se concentrar não mais em instituições públicas, mas na pessoa do ditador ou no seu grupo político. Além disso, ter o judiciário sob controle é fundamental para complementar a estratégia descrita no primeiro ponto: perseguir opositores. Um judiciário independente jamais iria condenar por corrupção pessoas acusadas mediante fraudes e provas falsas. Um judiciário que serve à ditadura em detrimento da justiça não hesitará em fazê-lo.

5) Controlar o legislativo. Também é parte da estratégia de acabar com a divisão de poderes, para concentrá-los na ditadura. Esse ponto vale uma reflexão especial. O legislativo é por excelência o palco da liberdade. É a única instituição política em que a oposição exerce legitimamente seu papel de fiscalizar o governo. A oposição não pode atuar, obviamente, no executivo, que é privilégio do governo por definição. Não pode atuar tampouco no judiciário, que exerce (ou deveria exercer) função técnica, e não política. Resta à oposição, também por definição, o legislativo. Assim, controlar o legislativo significa tirar o único canal institucional legítimo da oposição, e isso é fundamental para implantação de qualquer ditadura.

Controlar o legislativo, entretanto, pode ser feito de várias maneiras. Nas ditaduras que se mostravam à luz do dia, bastava fechar o parlamento usando a força. Mas essa não é a única maneira, nem a mais aconselhável hoje em dia. Pode-se controlar o legislativo manipulando sua composição. Isso pode ser feito, como exposto mais acima, fraudando eleições, ou definindo regras que beneficiem a eleição dos apoiadores da ditadura. Existe ainda uma terceira maneira de controlar o legislativo que não envolve fechá-lo nem manipular sua composição: basta comprá-lo. Nesse caso o ditador precisaria pagar aos membros do congresso (seja em dinheiro ou de outra forma) para garantir apoio ao seu governo e à sua agenda.

Além da aniquilação da oposição, o controle do legislativo é fundamental para que a ditadura aprove as leis que vão emprestar uma fachada de legalidade e legitimidade a suas arbitrariedades. Assim, é necessário que o ditador controle o legislativo para alterar as regras eleitorais, inclusive para permitir reeleições ilimitadas, para desapropriar (se e quando for o caso) empresas e propriedades, criar leis que controlem a imprensa, entre outros. Ou seja, o controle do legislativo é fundamental para uma ditadura porque ao mesmo tempo em que cala a oposição dá ao governo os instrumentos para implementar seu arbítrio na forma de lei, de maneira que tudo seja legal e pareça legítimo.

6) Desarmar a população. Depois que o poder tiver sido alcançado e garantido, depois que a divisão de poderes tiver sido aniquilada e o judiciário e o legislativo estiverem sob controle, depois que a imprensa estiver calada e os meios materiais estiverem nas mãos do Estado, a última esperança de resistência de qualquer pessoa é sua própria arma. Se as pessoas tiverem desarmadas, o Estado possuirá o monopólio da força, e não terá qualquer ameaça em seu caminho.

Concluindo.

Esses passos não se encadeiam cronologicamente. Respeitadas suas características, podem ser feitos em qualquer ordem, a qualquer momento. Muitas vezes são tentados simultaneamente. E sempre virão disfarçados das mais belas e nobres intenções. Ninguém vai chegar para você dizendo que a reeleição tem que ser ilimitada porque quer se perpetuar no poder. Dirão que é para que aquele líder, tão bom, justo e magnânimo, tenha mais um mandato para ajudar o país. Ninguém dirá que o controle da economia servirá para dar ao Estado os meios para implantar uma ditadura, mas sim para melhor redistribuir a renda e acabar com as injustiças sociais. Ninguém dirá que o desarmamento tem como objetivo impedir que as pessoas, em último caso, peguem em armas contra a ditadura, e sim porque o desarmamento ajudará a reduzir a violência e a criminalidade.

O diabo nos engana porque é bonito. Se fosse feio não enganaria ninguém.
E isso tudo é só a parte procedimental para a implantação de uma ditadura. Existe também uma parte cultural, de valores (sim, valores!) que são necessários construir (ou destruir) para se chegar à tirania, mas isso fica para outro 

texto.

Via facebook Aírton Paulo

sábado, 22 de novembro de 2014

Vídeo sofrimento do nordestino para cidade grande





A solidão, sofrimento, saudades no coração dos nordestinos



Famílias ficam pra trás enquanto nordestinos buscam empregos, e uma qualidade de vida melhor nas capitais do País...


Flávio Dino é o primeiro político comunista a eleger-se governador no Brasil, vencendo o candidato da família Sarney — Lobão Filho (PMDB) — com 64% dos votos válidos já no primeiro turno.



A Sobrevida de Sarney, depende do nosso governo diz Dino!

John Cutrim
Flávio Dino é o primeiro político comunista a eleger-se governador no Brasil, vencendo o candidato da família Sarney — Lobão Filho (PMDB) — com 64% dos votos válidos já no primeiro turno. Mas o ex-juiz federal, ex-deputado e ex-presidente da Embratur sabe que a vitória foi apenas o primeiro passo. Ele diz que tem dois grandes desafios nos próximos quatro anos. O primeiro é melhorar os indicadores sociais do Maranhão, que detém um dos piores Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, ao lado de Alagoas e Piauí. O segundo, é sepultar a hegemonia política do clã Sarney, desde os anos 60 no poder local. “A sobrevida deles depende do nosso desempenho no governo”, sentencia.
Qual o significado de sua vitória sobre o clã Sarney?
Tem um grande significado para o Maranhão, pelo que representa a permanência no poder, pela hegemonia dos Sarney. E tem significado nacional ao mostrar que as instituições políticas e democráticas do Brasil, aos trancos e barrancos, ao modo brasileiro, estão evoluindo, na medida em que ele (Sarney) representava ainda a persistência de traços do coronelismo de meados do século XX. No Maranhão, temos determinadas precondições para o desenvolvimento econômico que não se realizavam exatamente por causa do poder político que impedia que os investimentos públicos e privados continuados, consistentes e planejados ocorressem. A situação de pobreza do estado, que detém alguns dos piores indicadores sociais do país, está diretamente associada à política.
No Maranhão e no Amapá, outros adversários dos Sarneys que venceram as eleições tiveram dificuldade de manter seus mandatos…
A família Sarney mantém uma presença na política maranhense. É um grupo que tem sua identidade consolidada há muito tempo, com uma força midiática e econômica muito forte, com muitos aliados em todos os níveis. Não temos a ilusão de que será um governo isento de conflitos, mas o que desejamos é que sejam conflitos dentro dos parâmetros democráticos. Ou seja, diferente do que aconteceu com a cassação do governador Jackson Lago, que haja um respeito à eloquente e clara vontade das urnas. O clã Sarney continua a ter sua força, apesar da maior derrota eleitoral de sua história. Terei cuidado, sabendo que eles continuam à espreita, desejosos de retornar ao poder, dispostos a retomar os privilégios que perderam.
A transição já começou?
Nós tomamos a iniciativa, formamos uma equipe de transição. Mas não houve muita receptividade por parte da governadora Roseana Sarney, que até hoje não prestou as informações que solicitamos há cerca de 40 dias. Mesmo assim, estamos avançando na formação da equipe e na busca de diálogo com os atuais secretários.
Esse já é um primeiro conflito?
Interpretamos essa postura como um indicativo de que os Sarney consideram que o aparelho governamental é uma espécie de propriedade familiar. Infelizmente, houve tentativas de criar embaraços e constrangimentos a partir de 2015, como despesas não previstas, licitações inexplicáveis, lançar obras que não foram devidamente planejadas. Diante disso, temos buscado informações para evitar que ocorram coisas absurdas que possam gerar bombas a explodir no ano que vem. Recentemente eles tentaram terceirizar todo o sistema penitenciário do Maranhão, com uma licitação que nós conseguimos suspender na Justiça, que teria o custo mais alto de todo o país, mais de R$ 8 mil mensais por detento, duas vezes superior à média brasileira.
Qual é a situação financeira do Maranhão?
Do ponto de vista estrito da relação dívida-orçamento-custeio, temos uma situação boa em comparação a outros estados. Temos condições de manter a máquina funcionando — o que em alguns estados nem isso é possível — e temos certo nível de investimento. Mas também pretendemos buscar transferências voluntárias. Estamos nos preparando para apresentar projetos técnicos, visando captação de recursos públicos. Por outro lado, devemos buscar eventuais operações de crédito com organismos multilaterais internacionais, e mesmo com o BNDES, porque naturalmente o desafio de melhorar o IDH do estado exige uma soma de recursos muito maior do que as receitas estaduais, por mais que haja esse equilíbrio fiscal. Nós vamos precisar de investimentos públicos, por exemplo, para melhorar a distribuição de água — que é a pior de todas — e para combater o déficit habitacional, que é de 450 mil moradias. Por outro lado, também é necessário avançar nas parcerias com o setor privado e criar um ambiente institucional favorável aos negócios — que hoje, infelizmente, não há, ao contrário, o que há no estado é um ambiente muito hostil, na medida em que a competitividade é atrelada aos fatores políticos.
O sr. pretende dar um choque de capitalismo no Maranhão?
É o que tenho chamado de revolução democrática burguesa (risos). Uma agenda iluminista, de 300 anos atrás na Europa, e que a gente precisa cumprir no Maranhão. O próprio setor privado, submetido a chantagens, benefícios indevidos, cobranças, jeitinhos, desestimula a existência de um mercado saudável. Durante a campanha, sempre que me perguntavam se o grupo Sarney tinha medo do comunismo, eu dizia que ele tinha mais medo do capitalismo.
Qual será a cara de sua gestão?
Em primeiro lugar, tirar o Maranhão das páginas policiais. Isso é o nosso desafio número 1, que está atrelado a duas questões emergenciais. A primeira é essa questão da Penitenciária de Pedrinhas; e a segunda é a temática da transparência, da probidade, da honestidade. Queremos quebrar com esse estigma nacional de que o Maranhão é um estado problema. Ao mesmo tempo, queremos executar um projeto de desenvolvimento inclusivo. Queremos chegar em 2018 com indicadores sociais do Maranhão melhores.
Como o sr. imagina sua relação com o governo federal, considerando que Dilma e o PT ainda mantêm uma aliança política com a família Sarney?
É preciso considerar que eu sou de um partido que apoia o PT desde 1989, desde a primeira candidatura do Lula. Eu mesmo participei de campanhas de Lula e Dilma em vários momentos. Então, do ponto de vista político, eu não consigo imaginar embaraços… Nós vencemos a eleição, é importante lembrar isso.
Como foi o comportamento de Dilma e Lula na campanha?
A Dilma se manteve neutra e Lula apoiou o filho do ministro (das Minas e Energia) Edison Lobão, o Edinho Filho.
Lula deixou mágoa?
Mágoa não, eu compreendo que faz parte da opção política dele, que eu considero equivocada. Eu não levo para o terreno pessoal. Dilma manteve uma atitude de neutralidade — o que eu acho positivo. Uma parte significativa do PT nos apoiou, inclusive já indiquei um quadro do PT para ocupar a Secretaria de Direitos Humanos do Estado, e haverá outras pessoas do PT na nossa gestão. Pela soma dessas questões, acho que não haverá embaraços políticos entre nós. Não espero, nem pleiteio, favorecimentos. Mas acredito que a presidente Dilma tem a compreensão de que o Maranhão é um grande desafio nacional.
Como está a obra da Refinaria Premium I?
Na verdade, ela não foi rigorosamente prevista no PAC. O projeto foi uma tentativa do senador Sarney e do ministro Edison Lobão de mais ou menos impor uma agenda, a partir dos seus interesses políticos, mas não havia um planejamento real. Infelizmente, isso consumiu R$ 1,5 bilhão. A obra está paralisada há três anos. Hoje, na agenda de investimentos da Petrobras, a previsão é de que a refinaria fique para 2029. Serenada essa crise da Petrobras, vamos retomar o diálogo com a estatal para que o estado se coloque como parceiro real nesse projeto.
O Maranhão é o quarto estado do Nordeste em previsão de investimentos pelo PAC. A dimensão dos investimentos é adequada?
Quando se exclui o projeto da rerfinaria, o montante cai drasticamente em relação a outros estados. Mas nós achamos que o Maranhão deve apresentar projetos melhores para captar mais recursos do PAC e de outras fontes do governo federal. A questão essencial hoje do Brasil, não só do Maranhão, é a questão da qualidade dos projetos. Vamos montar uma estrutura exclusiva para se dedicar a isso, visando melhorar a captação de recursos e a execução das obras. Eu examinei as transferências de recursos para os projetos do Maranhão, não só do governo do estado, mas também dos municípios, que tramitaram nos últimos anos no governo federal, e percebi que o índice de execução é de apenas 25%. Cerca de 75% é captado, mas se perde, exatamente no projeto, na licitação, na formalidade burocrática, em alguma questão jurídica.
Como o sr. vê o cenário político nacional, com o enfraquecimento do PT e o novo Congresso que virá em 2015?
A formação de diversos blocos é um imperativo, fruto da fragmentação partidária. Hoje no Congresso, todos os partidos são pequenos ou médios. O maior de todos é o PT, que tem pouco mais de 10% dos deputados. O PCdoB deve se integrar a um dos blocos, como fizemos na legislatura passada com o PSB. Mas tem de ser coerente com a nossa visão política geral de apoio geral ao governo. Eu, como militante da esquerda brasileira, espero que o PSB esteja conosco. Se olharmos das jornadas de junho de 2013 para cá, o pensamento conservador se fortaleceu no Brasil. Há aspectos desse pensamento que são altamente preocupantes, quando, por exemplo, um pequeno segmento da população imagina que o caminho é um golpe militar. É muito grave quando há uma exacerbação do ódio como instrumento de luta política. Uma parte da esquerda põe a culpa na mídia. Se fosse só isso, a internet serviria como fórum do pensamento de esquerda, e não é. Claro que existe a questão do comportamento dos grandes grupos de imprensa, mas é reducionista explicar tudo por aí. Se os grandes grupos de mídia tivessem esse peso todo, Lula e Dilma não teria sido eleitos e reeleitos. A esquerda brasileira perdeu um pouco de sua identidade, por ingenuidade. No plano federal, algumas vezes, ao invés de um balanceamento, houve uma submissão ao jogo tradicional. Isso acaba nos tragando, porque, quando você passa determinadas fronteiras, é difícil voltar. Não acho que a culpa é do Lula ou da Dilma. Acho que nós todos fizemos concessões demais. O primeiro ponto é o PT voltar a aglutinar a esquerda. Eles escolheram o PMDB como parceiro preferencial e essa é a origem de todos os males. Isso tornou o PT parte de um conjunto chamado peemedebismo. O PT é a força hegemônica da esquerda brasileira desde a sua fundação e por isso deve colocar como meta voltar a unir as forças progressistas. É possível governar com o PMDB em outras bases. É melhor ter o pensamento progressista aglutinado, desobstruir o diálogo com o PSDB e depois negociar com o PMDB, do que fazer um consórcio de poder com eles.

Roberto Rocha já começa a se movimentar para chegar ao Senado com algumas diretrizes traçadas e prioridades a serem cumpridas assim que assumir o cargo de senador



Roberto Rocha, eleito diz que vai mostrar pra que serve um senador

John Cutrim


Desde que foi eleito, Roberto Rocha (PSB) enfatiza em suas entrevistas que vai mostrar para que serve um senador. Crítico da atuação tímida dos atuais parlamentares maranhenses no Senado, ele destaca o fato de a população ter dado o recado aos políticos inertes nestas eleições. A vitória, não só de um novo governador, mas também de um novo senador, demonstra de forma clara a mudança de visão política do povo do Maranhão.
Com esse pensamento, Roberto Rocha já começa a se movimentar para chegar ao Senado com algumas diretrizes traçadas e prioridades a serem cumpridas assim que assumir o cargo de senador. Com bom trânsito no meio político, e uma ampla gama de aliados, o socialista tem como objetivo ajudar no desenvolvimento do Maranhão ao lado do governador Flávio Dino.
Prova dessa preocupação são as ações e reuniões que Roberto Rocha já teve nesses pouco mais de 40 dias após as eleições. Um dos primeiros a receber a visita do senador eleito foi o prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior. Atual vice-prefeito da capital, Rocha garantiu que não medirá esforços para dois grandes projetos que visam beneficiar a cidade: o Shopping Popular e o VLT. Além destas destacadas iniciativas, obras para a mobilidade urbana também estão em pauta.
Outro prefeito maranhense que já teve a garantia de um apoio forte do Senado foi Luciano Leitoa, de Timon. Em visita à cidade, Roberto Rocha aproveitou para reunir com o prefeito de Teresina, Firmino Filho, no intuito de resolver as questões de saúde entre os Estados do Maranhão e do Piauí. No encontro, o senador eleito disse que buscará soluções por meio do Senado que sejam satisfatórias para os dois estados, a fim de resolver o imbróglio que atualmente existe no sistema de saúde.
A economia é outro ponto destacado por Roberto Rocha como prioridade nas suas ações. Em reunião com empresários na Associação Comercial do Maranhão (ACM), o senador eleito ressaltou uma série de medidas que o governo deverá tomar para alavancar a economia do Estado, e disse que ajudará de todas as formas para o desenvolvimento desse setor que é tão importante para a melhora da qualidade de vida dos maranhenses.
Além de reuniões políticas em Brasília, Roberto Rocha também foi à São Paulo e aproveitou para encontrar o governador Geraldo Alckmin. Na pauta, convênios que possam beneficiar o Maranhão, sobretudo na área técnica. O principal objetivo da parceria com o governo paulista é a concepção de cursos de capacitação a distância que visem o desenvolvimento da educação maranhense.
Roberto Rocha terá um futuro promissor como senador se continuar nesse ritmo. Mesmo antes de assumir, ele já se prepara para acabar com a lacuna deixada pelos parlamentares maranhenses no Senado. Seu principal objetivo é provar para que serve um senador. Os primeiros passos já estão sendo dados, e, pelo que tudo indica, a tendência é que sua atuação no Senado seja de destaque. Quem ganha com isso é o Maranhão.

Mensalão: STF suspende autorização para José Dirceu viajar


Mensalão



dirceuRelator dos processos de execução das penas dos condenados no julgamento do mensalão, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso suspendeu neste sábado (22) autorização da Justiça do Distrito Federal para o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) viajar.
Desde o início do mês, Dirceu cumpre pena no regime aberto em Brasília, tendo que passar as noites e os fins de semana em sua casa. Ele chegou a ficar preso 354 dias entre os regimes fechado e semiaberto.
No julgamento, o petista foi condenado a 7 anos e 11 meses de prisão por ser considerado mentor do esquema de desvio de dinheiro público que abasteceu o pagamento de propina a aliados no Congresso durante o início do governo Lula.
Em seu despacho, Barroso afirmou que decidiu suspender a liberação porque não recebeu “qualquer comunicação formal” do Tribunal de Justiça do DF sobre o pedido do petista. O ministro lembra ainda que Dirceu teve autorização para deixar Brasília mesmo com parecer desfavorável do Ministério Público. A medida tem efeito até que o relator tome conhecimento do pedido do petista e se manifeste.
Segundo reportagem do jornal “O Globo”, o juiz da Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas do DF, Nelson Ferreira Júnior, autorizou Dirceu a ir a São Paulo entre os dias 18 de novembro e 2 de dezembro.
Como o ex-ministro já está em São Paulo terá que voltar a Brasília, quando for notificado.
O ex-ministro solicitou ainda uma viagem a Minas Gerais, onde iria passar o período natalino com sua família, mas ainda não houve decisão da Justiça do DF.
Em nota, a assessoria de imprensa de Dirceu afirmou que o ex-ministro acatará a decisão da Justiça, mas que sua defesa considera que a decisão “causa estranheza”.
“Em primeiro lugar, porque não ocorreu em recurso do Ministério Público à decisão do juiz da Vepema. Em segundo lugar, o próprio ministro Barroso havia declinado da competência do processo da AP 470, conferindo ao juiz da Vepema o poder para tomar decisões mais corriqueiras. No caso específico do meu cliente, o que causa estranheza é que o ministro Barroso mudou sua orientação”, afirmou na nota o advogado de Dirceu, José Luis Oliveira Lima.
Liberdade
Depois de um ano depois das primeiras prisões do processo do mensalão, que aconteceram no dia 15 de novembro de 2013, a maior parte dos políticos condenados no esquema já está fora da cadeia.
Além de Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro da sigla Delúbio Soares, por exemplo, cumprem suas penas no regime aberto.
Ao todo, 24 foram condenados, sendo 11 políticos. Um deles, o ex-deputado José Borba (PMDB-PR), foi condenado a 2 anos e 6 meses de prisão, por isso, sua pena foi convertida em prestação de serviços comunitários.
Entre os outros dez, seis já obtiveram a progressão do regime semiaberto para o aberto. Além de Dirceu, Delúbio e Genoino, compõem a lista os ex-deputados Valdemar Costa Neto (PR), Bispo Rodrigues (PR) e Pedro Henry (PP).
Três já apresentaram pedidos para a progressão e aguardam decisão do relator do processo, ministro Luís Roberto Barroso. São eles: os ex-deputados Romeu Queiroz (PTB), Pedro Corrêa (PP) e João Paulo Cunha (PT).
O delator do esquema, Roberto Jefferson, por sua vez, só não está em tempo de pedir progressão de regime pois foi preso em fevereiro, não em novembro como os primeiros detidos. A expectativa é que no início de 2015 ele também obtenha a progressão.
Com os políticos soltos, seguem atrás das grades os operadores do esquema, entre eles o publicitário Marcos Valério e ex-dirigentes do Banco Rural, condenados a um regime inicialmente fechado. Segundo a lei, após cumprir um sexto da pena, o preso pode pedir progressão para um regime mais brando. Fonte. Luis Cardoso.