sábado, 15 de março de 2014

DERROTA DO GOVERNO DESTA SEMANA

Após derrotas do governo, 77 deputados deixam 'blocão'

Líderes disseram que deixaram grupo de insatisfeitos após enfrentamento.
Câmara aprovou audiência com dez ministros e comissão sobre Petrobras.


Plenário da Câmara dos Deputados, antes da aprovação de comissão para investigar Petrobras, primeira derrota do Planalto (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)Plenário da Câmara dos Deputados, antes da aprovação de comissão para investigar Petrobras, primeira derrota do Planalto (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil).
 
Depois de uma semana de derrotas para o governo na Câmara dos Deputados, o número de parlamentares que optou por sair do chamado "blocão", grupo da base aliada insatisfeito com o Palácio do Planalto, chega a aproximadamente 77. Este é o total de integrantes das bancadas do PP, PROS e PDT, siglas que anunciaram a saída do blocão nos últimos dias.
Inicialmente, o grupo de insatisfeitos com o Executivo federal, liderados pelo PMDB, era formado por cerca de 240 deputados, aglutinados em sete partidos da base mais o oposicionista Solidariedade. Nesta semana, na principal vitória do blocão – quando foi aprovada em a criação de comissão externa para acompanhar as investigações de denúncias contra a Petrobras – os votos favoráveis à matéria e contrários ao governo chegaram a 267.

As derrotas foram seguidas pela retomada da reforma ministerial. Na quinta-feira (13) o Planalto anunciou substituições em seis ministérios, atendendo parte dos partidos rebelados.
O blocão mudou o propósito de discutir para passar a enfrentar o governo"
Eduardo da Fonte,
líder do PP
O líder do PP na Câmara, deputado Eduardo da Fonte (PE) disse ao G1 que o partido decidiu abandonar o bloco após perceber as ações de enfrentamento que estão sendo tomadas. "O blocão foi proposto para a gente discutir a relação com o governo. E agora, nesta semana, o blocão mudou o propósito de discutir para passar a enfrentar o governo. Foi por isso que a gente desembarcou e decidiu não fazer mais  parte", disse o parlamentar.
Não vamos fechar com o blocão, porque a gente não sabe quais são os objetivos finais"
Felix Mendonça Júnior,
vice-líder do PDT
Para deputado Felix Mendonça Júnior (BA), vice-líder do PDT, a saída do partido do grupo se dá pelo desconhecimento do objetivo final do blocão. "Participamos das primeiras reuniões, mas não vamos fechar com o blocão, porque a gente não sabe quais são os objetivos finais [...]. Terminou acontecendo um enfrentamento sem um objetivo, apenas para enfrentar por enfrentar. A gente quer uma agenda positiva para o Brasil", disse Júnior.
O enfrentamento ao governo está na elaboração da pauta, não no plenário"
Givaldo Carimbão,
líder do PROS
A formação do blocão ocorreu devido a uma insatisfação da base aliada por vários motivos: o não cumprimento de acordos quanto à liberação de recursos de emendas parlamentares, a demora em concluir a reforma ministerial, a exclusão das decisões políticas e de lançamentos de programas do governo federal. Para estancar a crise, a presidente anunciou nesta quinta a troca no comando de seis ministérios.
Emendas
Ao anunciar no plenário da Câmara nesta quinta que seu partido deixará o blocão, o líder do PROS, deputado Givaldo Carimbão (AL), cobrou a liberação de emendas parlamentares. A decisão da sigla de abandonar o bloco ocorreu na quarta (12), após reunião da cúpula do partido com o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Nesta quinta, porém, membros do partido saíram insatisfeitos após reunião com o governo sobre a liberação de emendas.

"A emenda parlamentar é feita pelo deputado eleito constitucionalmente. De repente, nós deputados temos R$12 milhões, R$ 14 milhões para obras em municípios e é um problema para conseguirmos arrancar o empenho e fazer os recursos chegarem aos municípios", reclamou Carimbão na tribuna do plenário da Câmara.
  Mesmo saindo do blocão, o líder do PROS disse acreditar que o enfrentamento ao governo pode continuar na Câmara enquanto a pauta da Casa for marcada por questões que contrariam o Executivo. "O enfrentamento ao governo está na elaboração da pauta, não no plenário – como ocorreu nesta de terça feira, que colocaram a questão da Petrobras em pauta mesmo com a disposição de dois ministros virem antes aqui prestar esclarecimentos", completou.

  Nesta quinta, pela primeira vez o Senado também apontou contrariedade com o governo ao aprovar que senadores se juntem a deputados na comissão externa que irá a Holanda acompanhar as investigações envolvendo a Petrobras. A viagem ainda não tem data marcada. (G1 Globo Notícias).

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