Cristiana Lõbo
Numa guinada diante do aprofundamento da crise econômica do país, a oposição se dispôs a negociar a aprovação de matérias de interesse do governo para melhorar o ambiente de governança do país.
O primeiro tema será a DRU (Desvinculação de Receitas da União), que está sendo formalmente negociada pela liderança do governo com a liderança da minoria na Câmara.
"Nós vamos votar para aprovar as matérias que possam impedir que o Brasil caia no abismo", disse o líder da minoria, Bruno Araújo (PSDB-PE).
Mesmo reclamando da demora do governo para enviar ao Congresso a proposta da DRU, Bruno Araújo teve reunião nesta terça-feira (10) com o líder do governo, José Guimarães – os dois acompanhados das assessorias técnicas.
O projeto do governo prevê a desvinculação de 30% de todo o orçamento, incluindo os fundos constitucionais, por oito anos; a oposição propõe a desvinculação de 20% do Orçamento, excluindo os fundos constitucionais, e admite prazo de cinco ou de oito anos.
A avaliação de que a economia do Brasil em 2016 será ainda pior do que em 2015 levou partidos de oposição a reverem a estratégia no Congresso.
Até aqui, o PSDB de Bruno Araújo, por exemplo, votou sistematicamente contra o governo. Mas, agora, a avaliação, feita inicialmente entre senadores, é de que é preciso assegurar a governança do país.
Quando perguntado sobre outros projetos que podem receber o apoio da oposição, Bruno Araújo prefere não citar: "Aqueles que contribuam para evitar que o Brasil caia no abismo", repete.
Ele critica o que chama de "falta de uma agenda" para o país uma vez que, segundo afirmou, o governo ainda não definiu qual a sua proposta de reforma da previdência, por exemplo. Segundo ele, a oposição pode votar alguns projetos desde que o PT também apoie.
Até aqui, estão à espera de votação no Congresso propostas do governo de recriação da CPMF, parada na Comissão de Constituição e Justiça, à espera da designação do relator; o projeto que prevê a repatriação de recursos de brasileiros no exterior, com o qual a oposição não concordou com o substitutivo do relator Manoel Junior (PMDB-PB); e projeto que muda a meta de superávit.
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